Artigo: Quem perder sua vida por causa de mim e do Evangelho vai salvá-la

As leituras deste domingo (12/09) nos ajudam a compreender a missão de Jesus Cristo e as exigências do seguimento: Jesus é um Messias diferente. Ele é o Messias sofredor que não coloca resistência nem volta atrás: não foge como Jonas, não se rebela como Jeremias. Vive a sua missão confiando plenamente em Deus: “O Senhor é meu pastor”.

Jesus aproveita uma viagem com seus discípulos fora da Terra Santa, em uma região pagã, nas encostas do Hermon, perto das nascentes do Jordão, para perguntar aos discípulos o que pensam sobre ele. É o próprio Jesus quem os interroga nos arredores de Cesaréia de Filipe (a cidade que leva o nome de César, imperador de Roma. Em primeiro lugar Jesus pergunta o que as pessoas dizem sobre Ele. Os discípulos lhe dizem o que as pessoas pensam sobre: dizem que Ele é um homem com autoridade, um profeta como João Batista que, segundo eles, ressuscitou dos mortos. Outros o comparam a Elias, o profeta do fim dos tempos. Em qualquer caso, Jesus é visto como um profeta.

Jesus, porém, não se detém nesta primeira pergunta, e os interroga de forma direta e decisiva: “E vós, quem dizeis que Eu sou”? É uma pergunta fundamental que vai determinar todo o resto. Jesus quer discípulos que o sigam conscientemente, sabendo de todos os riscos que isto implica. Eles precisam conhecê-lo profundamente não como um Messias poderoso, segundo a visão da época, mas como aquele que na cruz vai revelar o seu poder e o seu amor.

Sabemos que a confissão de Pedro ainda é limitada. Os discípulos não têm consciência de tudo o que vem pela frente: perseguição, morte na cruz, nem mesmo podem imaginar que Jesus será ressuscitado pelo Pai. Mas possuem o fundamental: a vontade de conhecer melhor Jesus e segui-lo de perto. É o primeiro passo para que a fé que já possuem aumente e tome proporções que o façam verdadeiros seguidores como vai acontecer depois da experiência da Ressurreição.

Em seguida, Jesus afirma: “Se alguém que me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga”. Salvar e perder a própria vida são dois modos de vida que revelam a existência concreta. O primeiro consiste na escolha de viver para si, o segundo indica a escolha de viver para o Reino. Viver para si pode nos levar à ruína. Fazer da própria vida um dom pela adesão ao evangelho de Cristo, conduz à salvação.

Assumir a causa de Cristo é o critério decisivo para a plenitude de vida. Para todos nós, cristãos, é também fundamental fazer esta pergunta: quem é Jesus para nós? É vital reconhecer o mistério de Jesus, o Cristo (=Messias sofredor). Se a Igreja ignora Cristo ela ignora a si mesma. Se não o conhece, não pode conhecer o mais essencial e decisivo de sua tarefa e missão. Como os discípulos, precisamos ir purificando nossa fé, segui-lo de perto e colaborar com ele no dia a dia. Esta é a principal tarefa que precisamos promover nos grupos e comunidades cristãs.

Dom João Carlos Seneme, cssBispo de Toledo

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