Eles se ajoelharam diante do menino e o adoraram

A festa deste domingo (03/01), a Epifania de Nosso Senhor, celebra a manifestação de Jesus a todos os povos.  A luz de Jesus ilumina todos aqueles que buscam sentido para suas vidas, luzes para iluminar os acontecimentos difíceis e confuso, por isso procuram, caminham, fazem perguntas, buscam resposta. No evangelho também podemos perceber que a salvação que Jesus veio trazer atinge os povos distantes e paradoxalmente revela a cegueira dos que estão pertos. Uns se abrem outros se fecham. 

No Evangelho de São Mateus podemos acompanhar a confissão de fé e o testemunho dos primeiros seguidores de Jesus. Seguindo o esplendor da estrela viram com seus próprios olhos o Messias esperado. A busca de Deus nunca será inútil se for realizada com a mesma paixão dos Reis Magos. Atentos aos sinais da chegada do Messias, eles o procuram com esperança até encontrá-lo. Reconhecem nele a “salvação de Deus” e o aceitam como “o Senhor”. A salvação rejeitada pelos habitantes de Jerusalém é um dom para os estrangeiros e pagãos. Deus e sua salvação estão ao alcance de todos os povos que o buscam de coração sincero.

Os presentes oferecidos pelos reis magos revelam o profundo mistério de Cristo: Rei, Deus, Homem. O que eles viram realmente? Eles viram um bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura! Estes homens pagãos que não conhecem a revelação do Antigo Testamento reconhecem o Messias nesta criança e não se escandalizam com sua pobreza e fragilidade. Ao contrário dos doutores da lei e os especialistas das escrituras que não o reconhecem e o rejeitam. É um dos fios condutores do evangelho de Mateus: enquanto os distantes se aproximam, os filhos de Israel correm o risco de ficar fora da salvação.

O encontro com o menino Deus é cheio de alegria e indica um caminho novo a seguir: “os magos sentiram uma alegria muito grande… ajoelharam-se diante dele e o adoraram… retornaram para sua terra seguindo um outro caminho”.

Na pequena procissão dos magos rumo à verdade e à luz, podemos ver a grande procissão da humanidade. Para todos é indispensável a procura, a viagem, o risco.  Ao fim da viagem, depois de muitas peripécias e muita escuridão, depois de silêncios e estradas erradas, eis que surge, para todos, Belém. Para quem O procura de coração sincero, Deus se faz encontro (Pe. Adroaldo Palaoro).

A visita dos reis magos nos ensina a buscar continuamente a luz verdadeira que ilumina todo ser humano: Cristo. Não há nenhuma outra luz que pode iluminar a vida em plenitude, porque somente Cristo “tem palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). O próprio Deus atraiu e apontou os caminhos para os magos e Ele continua a fazer isso conosco hoje: “Fui eu que vos amei primeiro”. Nós, também, como os magos, chegaremos à “casa do Pai” e veremos “o menino com Maria, sua mãe”.

Dom João Carlos Seneme, cssBispo de Toledo

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